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O fato é que tu nunca vai encontrar alguém que seja tão eu. Jamais vai encontrar um alguém que te faça tão bem quanto eu fiz, alguém que te mande mensagem às 2 da manhã dizendo “acorda, filho da puta.” e ainda assim consiga te arrancar um sorriso. Tu não vai acordar às oito horas da manhã de um sábado preocupado com outro alguém que não seja eu. Duvido muito que consiga se apaixonar pelo perfume de qualquer uma das tuas garotas como era apaixonado pelo meu. Sempre vai ser assim, porque é de mim que tu sempre vai lembrar quando olhar para aquelas fotos babacas de casais melosos, é de mim que tu vai precisar quando o resto do mundo se fechar pra ti. Quando ouvir uma piada idiota e sem graça, vai se lembrar de todas as vezes que te fiz sorrir com as minha bobagens. Vai ligar o rádio enquanto estiver no carro com uma qualquer e ouvir nossa música, e mais uma vez, vai se lembrar de mim. De nós. Tu nunca vai desejar que outra guria seja tão tua quanto eu fui. Tenho certeza que nunca vai querer ter alguém tanto quanto me teve, e jamais vai se entregar tanto pra alguém quanto se entregou para mim. Porque sempre vai ser assim, e o motivo não poderia ser mais óbvio: Nenhuma delas vai te ganhar. Nenhuma delas vai ter tudo que tu vem procurando há tanto tempo, afinal, nenhuma delas sou eu.”
Lethicia M.

Nunca gostei do teu cabelo bagunçado. Gostava menos ainda quando tu andava por aí todo descabelado. Odiava sair contigo no sábado a noite e ter que suportar dezenas de olhares tortos, odiava ter de ouvir aqueles sussurros dizendo o quanto tu era descuidado. As pessoas me olhavam como se a culpa fosse minha, como se por ser tua namorada eu precisasse estar sempre pegando no teu pé por causa do teu jeito desengonçado. Não que fosse minha obrigação, mas eu sempre fiquei no teu pé mesmo, só que tu nunca me escutou. Aliás, tu nunca escutou nada do que diziam pra ti. E foi esse jeito meio errado e essa aparência meio maltratada que me tiraram boas risadas nos sábados a noite. Tu retribuía os olhares tortos e os sussurros com uma risada sarcástica. E no final da noite, nós dois chegávamos em casa acordando todos os vizinhos com tua gargalhada alta e teu passo pesado nos corredores do nosso prédio. Pra falar a verdade, eu sempre gostei do teu jeito desengonçado, do teu andar todo errado, da gargalhada alta e… E do teu cabelo bagunçado.
Lethicia M.

“Não dá mais pra mim, desculpe. Não vou suportar ser tua segunda opção nem por mais um segundo. E bom, se continuar assim, darei um jeito de sumir de sua vida de uma vez por todas. Falo sério, tu não imagina o quanto eu aguentei, não imagina o tanto de palavras que eu engoli seco por tua causa. Tua causa, isso mesmo. A culpa é exclusivamente tua. A culpa de tudo estar assim hoje é toda sua, afinal eu estive do teu lado em todos os momentos que precisou de mim, lembro de todas as vezes em que me procurou pedindo colo, pedindo abrigo. Eu nunca te neguei nada disso, nunca nem pensei duas vezes antes de lhe dizer um “sim”. Fui boba? Talvez. Na verdade, eu diria que fui apenas fiel ao que um dia chamamos de amizade, ou seja lá o que for. Você não, você não foi fiel ao que tínhamos. Me procurava quando não tinha outro alguém melhor para suprir tua necessidades, vinha com aquele papo de “eu te amo” quando não havia ninguém melhor pra amar. Me amava por falta de outras opções. Me amava pois sempre soube que, não importa quanto tempo se passe, ainda me terá na palma de suas mãos. E não vou negar, eu sempre voltava correndo pros teus abraços, porque lá no fundo ainda tinha aquela estúpida esperança de um dia ocupar o teu primeiro lugar, esperança de um dia ser a primeira pessoa que tu procuraria quando o mundo se fechasse pra ti. Mas nunca será assim, não é? Eu nunca vou estar no “topo”, digamos. Sempre haverá alguém superior. E é por isso que simplesmente não vou mais tolerar as coisas do jeito que estão. E no dia que precisar, tu vai vir correndo pra mim e eu vou cruzar os braços e abrir um sorriso. Eu não serei mais tua.
Lethicia M.

“Você vira pro teu colega e diz o quão meloso é aquele casal que se chama pelos apelidos mais bobos que existem. Diz até que chega a ser clichê. E realmente é clichê, é bobo, é meloso. É isso tudo até a hora que você se coloca na situação, não é? É bobinho chamar a namorada de “meu amor” até o momento que o teu namorado te chama dessa forma. É meloso viver agarrado, colado um no outro, até a hora que fazem isso com você, até a hora que é você quem está ali. É clichê ligar quinhentas vezes por dia pro namorado, até o momento em que você começa a sentir necessidade de fazer isso também. O amor é clichê, é bobo, é meloso até a hora que ele te pega de jeito. Daí quem fica clichê, bobo e meloso é você.
Lethicia M.

“Mas não me venha com aquele papo de “sinto sua falta” ou “você sempre foi tudo que eu quis”. Nada disso me convence mais. Esse teu charme não engana sequer um cantinho de mim. Não caio nunca mais nessas armadilhas que tu vai armando com o passar do tempo. Ao longo de todo esse tempo que eu passei contigo, eu poderia afirmar com certeza pelo menos uma coisa: essa carinha bonita e esse sorriso simpático se tornam irrelevantes perto da sua mente que só pensa em si mesmo. Perto desse instinto que tu sempre teve de passar por cima das pessoas. Nada disso vai servir pra disfarçar essa tua cabeça que só sabe pensar em ser melhor que qualquer outro que cruze seu caminho.”
Lethicia M.

E eu fico imaginando se seria muito atrevimento da minha parte lhe pedir uma segunda chance. Fico pensando se seria assim tão ruim te procurar pra dizer que sinto saudades. Eu sei bem que sempre fui a errada da história, que fui sempre eu quem te deixou de lado, mas eu queria me desculpar… Tarde demais? Tudo bem, sinto muito, mesmo assim. Não sei bem o que me deu pra mudar de ideia tão radicalmente, tu sabe melhor do que ninguém que eu não corro atrás e que raramente procuro pelas pessoas. Mas… Esses dias eu tava pensando em você, sabe. E me deu uma vontade danada de te ligar e pedir pra tu vir aqui em casa. Droga, logo você. Logo o cara à quem eu nunca dei muito valor. E bom, pensando bem agora, se eu pudesse voltar atrás talvez até fizesse diferente. Derrepente a gente tivesse até ficado junto, quem sabe. Agora eu enxergo o quanto eu errei em ter te deixado ir. Eu lembro de como você ficava com vergonha quando diziam que nós dois ficávamos bem juntos. Eu nunca me incomodei, até porque essa ideia nunca passou pela minha cabeça. Eu nunca te vi dessa forma, entende? Pra mim, tu nunca passou de um amigo, de alguém que sempre se preocupou comigo e cuidou de mim. Nunca passou disso. Talvez eu tenha errado aí, afinal você era perfeito pra mim e eu pra você. Agora nem eu consigo entender muito bem porque não pensava nisso meses atrás… Eu não sei, “eu e você” nunca fez tanto sentido pra mim como faz agora. E pra variar, eu percebi isso tarde demais. Imagino que você deve estar em outra, imagino que deve estar feliz. Mas quem sabe você fosse muito mais feliz do meu lado, não é? Desculpa se lhe parece um absurdo, mas é que eu vivo pensando… Será que seria muito atrevimento te querer todinho de volta pra mim?
Lethicia M.

“Eu ainda me lembro do perfume que tu usava da primeira vez que nos abraçamos. Nem muito forte, nem muito suave. No ponto certo, assim como você. Cabelo bagunçado, sorriso torto e, desculpe por notar, mas vi que usava cueca box branca. Talvez você não fosse o tipo certo, nem o mais encantador de todos, mas era quem me agradava e quem mais me agradou durante muito tempo. Se enrolava todo pra falar de mim, fervia de ciúmes quando eu comentava sobre outro garoto, mas acredito que no fundo sempre soube que se eu pertencia a alguém, esse alguém era você. Só que… De uns tempos pra cá, as coisas mudaram. Nem sei dizer bem o porquê, mas mudaram, e muito. Acho que, de certa forma, tu acabou se cansando do jeito que eu agia contigo. Me desculpe se não foi capaz de perceber, mas se te tratei com frieza e indiferença foi porque nunca quis me apegar tanto quanto acabei me apegando. Fui acostumada a reagir assim sabe? Sempre funcionou bem, aliás. Mas contigo não foi tão certo… No início não me apeguei, sempre vi que te tinha nas mãos, nunca sequer passou pela minha cabeça que um dia iria te perder. Mas foi aí que eu errei, nessa coisa de pensar que nunca iria te perder. Acontece que você se cansou e me deu as costas, foi então que eu percebi o quanto tu era importante. Mas já era tarde demais, não é? Desculpe por isso. E bom, prometo que se um dia cruzar contigo pela rua novamente não tentarei fazer com que tudo volte a ser como era antes, porque sei que está melhor sem mim. Mas sabe, até hoje sinto falta daquele teu perfume nem tão forte, nem tão fraco. No ponto certo, como nós dois.
Lethicia M.

2 months ago · 76 notes · reblog
#puft...  #rea  #nv  

Eu acordei bem cedo e parti. Cheguei na estação às cinco da manhã e me sentei em um banco. O próximo trem partia às seis e cinquenta e até o momento a estação estava deserta, apenas eu e mais um homem de chapéu e expressão simpática esperávamos ali. Abri um caderno e comecei a ler. Todas as páginas estavam ocupadas com as tuas escritas, escritas da nossa época juntos. Eu vinha guardando aquele caderno desde 4 de setembro de 2009, dia em que terminamos o namoro e você me entregou-o, pois no momento em que você o entregou a mim pediu que eu só lesse quando a curiosidade e saudade tomassem conta de mim por inteiro. Respeitei teu pedidomesmo com tamanha curiosidade que vinha sentindo nos últimos anos. Naquele dia eu tinha acordado vazia em todos os aspectos, principalmente em relação a meus sentimentos sobre as pessoas. A única coisa que sentia era saudade de nós dois juntos. Enquanto arrumava minhas coisas me lembrei das tuas palavras “só leia quando a saudade e a curiosidade se tornem mais fortes que você mesma”, e bem, era exatamente a minha situação. Coloquei o caderno na bolsa e como já disse, peguei-o para ler enquanto esperava na estação. Tu parecia ter escrito aquilo com tanto cuidado, tanta calma que fiz questão de ler cada palavra com toda atenção do mundo. Vou lhe dizer que passei muito tempo imaginando o que estava escrito ali e nunca cheguei perto de acertar. Você tinha narrado tudo que aconteceu entre a gente, cada coisinha, cada olhar, cada sorriso e cada palavra que tínhamos trocado. Ah, foi tão bom lembrar daqueles tempos. Era tudo tão certo pra nós dois, não imagina a falta que tu me faz. Quando terminava de ler o caderno, já estava na hora da partida do trem. Ah, acho que não comentei, minha intenção era voltar pra casa dos meus pais, queria me isolar de tudo, na minha cabeça ia me fazer bem, sabe? Antes que o trem partisse pude ler um último trecho daquela imensa narrativa: Teu sorriso sempre foi tão bonito, daqueles que chama atenção de qualquer um que passa e prende olhares por longos minutos. O som da tua risada… Ah, não tem barulho mais gostoso de se ouvir. Sinto tanto a sua falta, meu amor. Lamento todo dia por não ter feito você ficar. Mas sei que quando ler isso tudo, já vai estar ao lado de outro alguém, e realmente espero que esteja bem. Só quero que saiba que te amei e vou continuar te amando até o fim da minha vida. Afinal, lhe prometi que seria pra sempre, não é?“ Assim que terminei de ler, ouvi alguém me chamar dizendo que o trem já ia partir e não esperariam mais. Peguei minhas malas e mudei meu rumo. Não, não tinha desistido de sumir da minha cidade e recomeçar minha vida, eu apenas mudei meu destino. Se fosse pra recomeçar tudo de novo, seria do teu lado. Afinal, eu também tinha prometido que seria pra sempre.“ Lethicia —(re-avivar)